
Uma nova era política começa em Washington após a vitória avassaladora dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O partido retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, conquistando cadeiras em redutos históricos dos republicanos e impondo ao presidente Donald Trump uma das maiores derrotas eleitorais de sua carreira política.

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Na Câmara, os democratas devem conquistar pelo menos 255 das 435 cadeiras, uma vantagem de 50 assentos sobre os republicanos. No Senado, o partido venceu disputas em sete estados até então representados por republicanos, incluindo Texas, Carolina do Sul, Kansas e Iowa. A dimensão da vitória provocou uma crise no Partido Republicano e alterou profundamente o equilíbrio de poder em Washington.
Com o controle das duas Casas do Congresso, os democratas prometem abrir uma série de investigações sobre o governo e impor limites à agenda presidencial. Hakeem Jeffries, que deverá se tornar o primeiro presidente negro da Câmara, classificou o resultado como um “tsunami americano” e afirmou que o Legislativo deixará de funcionar como uma extensão da Casa Branca. (New York Times)

JD Vance, aliás, começou a se distanciar publicamente de Donald Trump. Apontado como possível candidato à Casa Branca em 2028, Vance atribuiu à guerra contra o Irã a perda do controle da Câmara e do Senado, em uma manifestação que contrasta com a defesa insistente do conflito feita pelo presidente americano.
Em uma longa publicação nas redes sociais, Vance questionou se a ofensiva militar justificava seu custo político, incluindo a perda do controle do Senado. Historicamente contrário a intervenções militares prolongadas no exterior, Vance já havia demonstrado reservas em relação à ofensiva contra o Irã e participado de uma tentativa fracassada de encerrar os combates. (AP)
As críticas a Trump não são uma exclusividade do vice-presidente. A derrota histórica do Partido Republicano provocou uma onda de revolta contra o presidente americano dentro de sua própria legenda. Integrantes do partido atribuem o resultado à impopularidade da guerra contra o Irã, às tarifas comerciais, ao endurecimento da política migratória e à falta de atenção de Trump às preocupações econômicas dos eleitores. Um aliado da Casa Branca descreveu a combinação desses fatores como uma “tempestade perfeita” e afirmou que a insatisfação com o presidente atingiu níveis extremamente elevados dentro do partido. “Foi um erro atrás do outro”, disse o estrategista republicano Gregg Peppin. (BBC)