Itamaraju – A eleição de Rose da Saúde para presidir a Câmara Municipal no último biênio desta legislatura retirou o governo de Jorge Almeida do seu centro de gravidade político.

Desde aquela votação, o que se tem observado é um clima crescente de tensão: relatos de perseguição a servidores, demissões sem justificativa clara, ameaças nos bastidores e um ambiente geral de insatisfação. Essa ruptura política acabou transbordando também para as redes sociais.

O domingo seguinte à eleição da mesa diretora, 1º de março, marcou o momento em que a divisão entre Marcelo Angélica e Jorge Almeida chegou de vez às redes, especialmente ao grupo “Amigos de Itamaraju”.
Criado em 19 de maio de 2016, o grupo sempre teve como objetivo discutir pautas importantes para a cidade. Durante anos funcionou como um espaço plural de debate sobre os problemas e os rumos do município.
Nos últimos dias, porém, a censura passou a ser utilizada como ferramenta dentro do grupo.

Eu mesmo fui removido após fazer questionamentos sobre o custo dos quebra-molas instalados na cidade. Informações que circulam apontam valores entre R$ 25 mil e R$ 40 mil por unidade, um custo considerado muito elevado. Outros membros também foram retirados após levantar dúvidas sobre possíveis irregularidades da administração municipal, em outros serviços, como Lixo, manutenção das estradas e a poda de árvores.
Mais recentemente questionei o valor dos uniformes escolares, especialmente no colégio Reitor Edgar Santos, onde cada peça estaria chegando a mais de R$ 120. Bastou esse questionamento para que eu fosse novamente removido do grupo.

A partir daí iniciou-se uma verdadeira caça às bruxas: um perfil falso foi adicionado como administrador do grupo e passou a remover qualquer participante que fizesse críticas ou cobranças à prefeitura.
No próprio domingo, a criadora do grupo original, Tia Ilma percebeu o que estava acontecendo e começou a reintegrar os membros excluídos.
Diante disso, o prefeito Jorge Almeida teria reagido com outra manobra: retirou seus aliados do grupo original e os levou para um segundo grupo, que possui data de criação registrada em 1º de setembro de 2023, mas que passou a usar o mesmo nome — “Amigos de Itamaraju”.

Desde então, os dois grupos passaram a ter o mesmo nome, porem mostrando comportamentos completamente diferentes.
No grupo original, criado em 2016, permanece a pluralidade de opiniões: pessoas de diferentes correntes políticas debatendo, criticando e questionando aquilo que consideram problemático na gestão municipal.
Já no grupo dos “Falsos Amigos”, ligado ao prefeito predominam publicações de elogios e exaltação ao governo por estar fazendo o feijão com arroz. Pequenas ações da prefeitura são seguidas por uma sequência de mensagens de pura bajulação, sem nenhum questionamento.
O grupo fake, ao que parece é formado majoritariamente por servidores contratados, ocupantes de cargos e integrantes do alto escalão do governo, ou seja, pessoas em situação de subordinação política ao prefeito. Um verdadeiro fã club.
Mas fica a pergunta: de que serve um grupo de mil pessoas batendo palmas para o prefeito, enquanto sua base política se fragmenta na cidade?

A duplicação do grupo “Amigos de Itamaraju” pode parecer um detalhe das redes sociais, mas revela algo maior: uma direita rachada e um governo fragilizado, que reage à derrotas criando conflitos e ampliando desafetos. O resultado desse cenário provavelmente será visto nas eleições de outubro.
Façam suas apostas: De um lado, o grupo de Jorge Almeida. Do outro, a articulação envolvendo Marcelo Angênica e seus novos aliados da política regional. Quem leva a melhor criador ou criatura?!