
Por ornes Jr
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O Itarraiá nasceu com a proposta de celebrar o período junino em Itamaraju, mas sua primeira edição deixou para muitos moradores uma sensação difícil de ignorar: a de que participaram mais de um festival musical do que de uma tradicional festa de São João.

Os festejos juninos carregam identidade própria. Não se resumem a palco e grandes nomes. São também ornamentação nas ruas, comércio aquecido, famílias reunidas, artistas locais, quadrilhas e o som da zabumba, do triângulo e da sanfona. Quando esses elementos ficam em segundo plano, surge inevitavelmente o debate sobre perda de identidade cultural.
As atrações nacionais tiveram qualidade e capacidade de atrair público. Isso não está em discussão. O questionamento está na coerência entre proposta e execução. Muitos dos shows apresentados dialogavam mais com um festival musical do período dos namorados do que com o repertório tradicional que historicamente embala o São João.

Outro aspecto que gerou desconforto foi a percepção de elitização do espaço. Para parte do público, além de um custo exorbitante, a estrutura e a restrição dos coolers reduziram o caráter popular da festa, afastando justamente quem tradicionalmente faz o São João acontecer: O povo!
A ornamentação tardia também foi alvo de observações. Em muitas cidades, decorar ruas e criar clima junino antecede o evento e funciona como motor para o comércio local. Quando isso não acontece no tempo esperado, perde-se parte do impacto econômico e emocional desta temporada.
Talvez a crítica mais sensível seja a pouca valorização das bandas locais. Para muitos músicos, o período junino representa uma das principais fontes de renda do ano e uma oportunidade de fortalecimento cultural da cidade.
O Itarraiá mostrou potencial, atraiu atenção e colocou Itamaraju em evidência. Mas, para crescer e se consolidar, talvez precise responder uma pergunta simples: queremos um festival musical ou queremos um grande São João?
