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A segunda semana de março foi marcada por turbulências para o campo da oposição ao governo da Bahia. Nos bastidores da política, episódios recentes envolvendo lideranças oposicionistas provocam tensão e abrem discussões sobre mudanças na composição da chapa para as eleições de 2026.

Um dos focos da crise é o ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma. Atualmente à frente do Partido Liberal (PL) na Bahia, Roma enfrenta pressão interna após a vinculação de seu nome no escândalo do caso do Banco Master. A ligação com atores citados no escândalo passou a incomodar lideranças nacionais do partido.
Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam a possibilidade de mudanças no comando estadual da legenda. Roma também foi convocado a prestar esclarecimentos em uma CPI que investiga a atuação de organizações criminosas, movimento que ampliou a tensão dentro do partido e abriu espaço para articulações visando sua eventual substituição na liderança da sigla na Bahia.
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Aliados avaliam que, dependendo da evolução do caso, Roma pode até mesmo deixar de ser o nome indicado para disputar uma vaga ao Senado na chapa liderada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. A avaliação interna é que a permanência do ex-ministro poderia contaminar politicamente a estratégia eleitoral do grupo oposicionista.
No entanto, as dificuldades da oposição não se limitam a João Roma. O próprio ACM Neto, principal liderança do campo oposicionista no estado, também passou a enfrentar questionamentos após a divulgação de que recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa RIG por serviços de consultoria.
Embora o ex-prefeito tenha publicado um vídeo nas redes sociais explicando a origem dos pagamentos, o episódio reacendeu questionamentos sobre a natureza da consultoria prestada. Entre as dúvidas levantadas, estão:
Quais serviços foram realizados pela empresa de ACM?
Quem foram os outros clientes desta empresa, ou ela nasceu só para receber do banco Master?
Por que os pagamentos ocorreram após a derrota eleitoral de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues na Bahia?
Como uma empresa de capital social tão baixo consegui um contrato tão alto?

Outro ponto que ampliou o desgaste político envolve a Fundação Índigo, entidade ligada ao União Brasil e presidida por ACM Neto. A fundação tornou-se alvo de denúncia após divergências no conselho fiscal sobre a aprovação das contas do ano passado.
O documento registra gastos de R$ 5,9 milhões classificados como “serviços prestados por terceiros”, sem detalhamento suficiente sobre a natureza das despesas.
A ausência de documentação comprobatória provocou um racha entre os conselheiros. Enquanto o deputado federal Elmar Nascimento e o ex-deputado Paulo Azi votaram pela aprovação das contas, os conselheiros Ricardo Motta e Rodrigo Furtado decidiram rejeitar o balanço. A final são quase seis milhões de reais sem notas fiscais detalhadas que comprovem os serviços prestados.
Diante das inconsistências, os conselheiros encaminharam denúncia ao Ministério Público para apuração de possíveis irregularidades no uso dos recursos partidários.
Com a sucessão de episódios envolvendo aliados e o próprio ACM Neto, a oposição na Bahia agora enfrenta o desafio de prestar esclarecimentos públicos satisfatórios, e preservar sua viabilidade política na oposição ao governo de Jerônimo Rodrigues nas eleições de 2026.
Somados o Caso Master e os recursos partidários movimentados pela fundação, o volume de dinheiro a ser explicado por ACM Neto, ultrapassa os nove milhões de reais.
Por Ornes Jr